Abril Azul: entendendo o autismo e a importância do diagnóstico precoce

A discussão sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem ganhado cada vez mais

relevância no Brasil. Segundo o Censo Demográfico 2022, o país registra 2,4 milhões de

pessoas diagnosticadas, o que representa cerca de 1,2% da população acima de 2 anos, com uma incidência maior em meninos e na faixa etária de 5 a 9 anos (proporção de 1 para cada 38).

No contexto internacional, o cenário é ainda mais expressivo: dados de abril de 2025, do

Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, revelam que a

prevalência subiu para 1 em cada 31 crianças de 8 anos. Embora esses números sugiram um aumento acelerado da condição, especialistas alertam que o fenômeno reflete, na verdade, o amadurecimento das redes de saúde e educação, além de um acesso mais amplo à informação, permitindo diagnósticos mais precisos e precoces.

Um mês dedicado à compreensão e à conscientização

É justamente esse movimento de conscientização e esclarecimento da população sobre o

autismo o maior objetivo da campanha Abril Azul, que, durante todo o mês, conta com ações educativas sobre neurodivergência em todo o mundo.

O Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, lembrado em 2 de abril, foi instituído em 2008 pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Autismo não é doença. Saiba o que é e conheça suas principais características.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma deficiência do neurodesenvolvimento

caracterizada por dificuldades na comunicação e na interação social, hipersensibilidade

sensorial e pela presença de comportamentos repetitivos ou interesses restritos.

Ainda não há uma definição específica para as causas do autismo, mas a literatura médica

relaciona o transtorno com predisposição genética e fatores ambientas que impactam o

desenvolvimento fetal, como estresse, infecções, exposição a substâncias tóxicas,

complicações durante a gravidez e desequilíbrios metabólicos.

O termo “espectro” é utilizado, principalmente, para refletir a enorme variação de manifestação do autismo. Algumas pessoas podem apresentar altas habilidades e independência, enquanto outros necessitam de suporte intensivo para as atividades básicas da vida diária.

A medicina atual divide o suporte em três níveis (1, 2 e 3), definidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). Eles indicam o quanto de ajuda o autista precisa para realizar as atividades diárias e interagir socialmente.

Conheça os três níveis de suporte do TEA

Nível de suporte 1 (suporte leve): a pessoa consegue se comunicar verbalmente, mas pode ter dificuldades para iniciar interações sociais ou manter a fluidez de uma conversa, além de poder apresentar certa inflexibilidade para trocar de tarefas e problemas de organização. Muitas vezes, o suporte foca estratégias de planejamento e habilidades sociais complexas.

Nível de suporte 2 (suporte moderado): as dificuldades são mais aparentes mesmo com

apoio. A pessoa pode falar frases simples ou ter uma comunicação muito focada em interesses específicos. Os comportamentos repetitivos são mais frequentes, e há dificuldade em mudar o foco ou a ação.

Nível de suporte 3 (muito suporte): nesse nível, os déficits de cognição são mais acentuados.Muitas pessoas podem não ser oralizadas ou usar poucas palavras inteligíveis. Apresentam grande dificuldade em lidar com mudanças, comportamentos repetitivos e restritos e, frequentemente, necessitam de auxílio para realizar atividades básicas, como higiene pessoal, alimentação e segurança.

Contudo, independentemente do nível, a intervenção precoce continua sendo o fator decisivo para a qualidade de vida.

Sinais de autismo: o que observar?

Os sinais podem surgir nos primeiros meses de vida, mas geralmente se tornam mais

evidentes entre os 18 e 24 meses. Fique atento a:

1. Dificuldade no contato visual – a criança evita ou sustenta pouco o olhar.

2. Atraso na fala – ausência de balbucios ou palavras simples na idade esperada.

3. Hipersensibilidade sensorial – reações intensas a sons, luzes ou texturas de

alimentos.

4. Movimentos estereotipados – balançar as mãos (flapping) e o corpo ou girar objetos

sem uma finalidade funcional.

5. Isolamento social – preferência por brincar sozinho; dificuldade em compartilhar

interesses ou pouca busca por conforto dos cuidadores quando está triste ou com medo.

A importância do diagnóstico e das intervenções precoces no autismo

De acordo com os dados de 2025, divulgados por associações como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e órgãos internacionais de monitoramento, estudos científicos recentes

confirmam que intervenções iniciadas antes dos 3 anos reduzem em até 40% a necessidade de suporte intensivo na vida adulta.

A identificação do TEA é feita com base em análise clínica multiprofissional, que é realizada por pediatras, neuropediatras, psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais, que

observam o comportamento, ouvem a história do desenvolvimento do paciente e os relatos de familiares, utilizam ferramentas como a escala de rastreio e protocolos padronizados na

avaliação. Exames de imagem ou laboratoriais não são essenciais, mas podem ajudar a definir um diagnóstico diferencial.

O fechamento do diagnóstico e a emissão do laudo com o nível de suporte auxiliam a família a ter acesso a direitos legais, terapias especializadas e, acima de tudo, a compreender a forma única da pessoa interagir com o mundo, possibilitando ajustes no ambiente familiar e escolar para promover a inclusão e a autonomia.

Diagnóstico de autismo na vida adulta

O aumento de casos de autismo em adultos tem crescido, principalmente pela maior

conscientização do autismo leve, considerado nível 1 de suporte. O maior dificultador para a

identificação da condição nos adultos é a modulação comportamental, em que as pessoas

passam a imitar comportamentos socialmente aceitos, o que pode mascarar o transtorno.

Entre os sinais comuns de TEA em adultos estão:

  • Exaustão social – necessidade de isolamento total após interações comuns.
  • Hipersensibilidade – incômodo extremo com sons específicos, etiquetas de roupas, luzes de escritório etc.
  • Hiperfoco – dedicação intensa a temas específicos, tornando-se quase um especialista no assunto.
  • Problemas para entender ironias, sarcasmo ou regras sociais não ditas.

O diagnóstico em adultos também é baseado no retrospecto, ou seja, um psiquiatra ou

neuropsicólogo analisa se os sinais já existiam na infância, mesmo que tenham sido ignorados na época.

Buscar a confirmação do autismo é importante para o autoconhecimento, para o acesso a

adaptações no ambiente de trabalho e a prioridades legais, além da realização de terapias

especializadas necessárias.

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