O QUE É ESCLEROSE MÚLTIPLA?

Por: Dr. José Alexandre Borges de Figueiredo Junior – CRM/MT 5453

A Esclerose Múltipla é uma doença crônica, inflamatória, autoimune onde as próprias células de defesa atacam a bainha de mielina (camada de gordura que envolve as fibras nervosas funcionando como um “isolante elétrico”) dos neurônios localizados no sistema nervoso central (encéfalo e medula espinhal), gerando os sintomas neurológicos. É mais comum em mulheres da 2ª a 5ª décadas de vida e tem como fatores de risco: obesidade, tabagismo, deficiência de vitamina D, infecção viral prévia pelo Epstein Baar, fator genético.

Foi descrita pela vez como doença em 1868 pelo neurologista Jean Martin Charcot na França e na América Latina o primeiro registro da doença foi realizado pelo brasileiro Aluízio Marques em 1923.

Os sintomas relacionados a doença irão depender da localização da lesão no sistema nervoso central. Os sintomas mais relatados são: alteração visual, formigamento nos membros, enxergar duplo, perda de força em membros, tontura persistente, entre outros.

O diagnóstico é feito baseado na história clínica dos sintomas mais típicos associados aos critérios diagnósticos (últimos propostos em 2017) que avaliam presença de lesões típicas nos exames de ressonância nuclear magnética de crânio, de coluna (cervical e torácica) e análise do líquido cefalorraquidiano. Importante sempre excluir outras doenças como: doenças infecciosas no sistema nervoso central, doenças relacionadas a deficiência vitamínica, entre outras.

A doença se apresenta em algumas formas sendo a mais comum a remitente recorrente, ou seja, ocorre o surgimento de um sintoma neurológico agudo (surto) com duração de mais de 24 horas e que remite após tratamento adequado, geralmente não deixando sequelas na maioria dos casos.

O tratamento se baseia em duas situações: 1º) tratamento do surto: realizado geralmente durante internação hospitalar com corticoide endovenoso; 2°) tratamento com medicamentos modificadores da doença: utilizados no Brasil desde a década de noventa, baseado em medicamentos que modulam o sistema imunológico, ou que suprimem o sistema imunológico e mais recentemente os anticorpos monoclonais; devem ser utilizados de forma contínua sem interrupção para reduzir os surtos e as possíveis sequelas que podem acontecer.

Outro ponto importante no tratamento é a utilização de medidas medicamentosas e não medicamentosas para tratar outros sintomas que não são os relacionados aos surtos mas que se relacionam com a doença como dor, fadiga, transtornos de humor, alteração do sono, alterações de controle da urina e intestinal, disfunção sexual, engasgos, entre outros.

Entre os tratamentos não medicamentos a realização de atividade física e controle dos fatores de risco são de suma importância para a melhora na qualidade de vida dos pacientes.

Sabemos atualmente que além de ser uma doença inflamatória do sistema nervoso central é também uma condição neurodegenerativa levando a morte de neurônios, que se não tratada precocemente e orientada de forma correta por profissionais especializados, podem ocorrer casos com maiores gravidades, com perdas cognitivas e sequelas neurológicas.

Infelizmente não temos a cura da doença, porém existe um grande esforço por parte da comunidade científica no mundo todo para o melhor entendimento da doença e consequentemente melhor controle da mesma.

Dr. José Alexandre Borges de Figueiredo Junior (Neurologista) – CRM/MT 5453

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