Alimentação na prevenção do Câncer de Mama

Por: Roberta M. Pimenta (Nutricionista CRN: 2996)

Sabe- se que câncer de mama é hoje um relevante problema de saúde pública. É a neoplasia maligna mais incidente em mulheres na maior parte do mundo. De acordo com as últimas estatísticas mundiais do Globocan 2018, foram estimados 2,1 milhões de casos novos de câncer e 627 mil óbitos pela doença. No Brasil, as estimativas de incidência de câncer de mama para o ano de 2019 são de 59.700 casos novos, o que representa 29,5% dos cânceres em mulheres, excetuando-se o câncer de pele não melanoma.

Em vista deste cenário, e dessa magnitude, em 1990 foi criado o Outubro Rosa. Já naquela época, foi percebido que a falta informação, conscientização sobre a doença e consequente atraso no diagnóstico, vinha contribuindo para a redução da expectativa de vida das mulheres que descobriam tardiamente o câncer. Dessa forma, esse movimento internacional de conscientização do câncer de mama, é caracterizado por eventos técnicos, debates, apresentações, além de uma série de materiais educativos sendo disseminados à respeito do tema.

Sendo assim, além do diagnóstico precoce, fator que aumenta consideravelmente as chances de cura, o melhor ainda é a prevenção. E como prevenir o câncer de mama?

Foi observado através de pesquisas epidemiológicas que condições individuais, de estilo de vida e ambientais, tem importante influência no desenvolvimento da doença.  Além disso, que somente 10% dos casos de câncer de mama são atribuídos a fatores hereditários, ou de ordem genética. Ou seja, a maior porcentagem é atribuída a fatores ditos como extrínsecos, relacionados a estilo de vida, como por exemplo, ingestão de bebidas alcoólicas, excesso de gordura corporal, tabagismo, sedentarismo, entre outros. Alguns desses fatores afetam o risco de desenvolver câncer de mama mais do que outros e podem mudar ao longo do tempo, como o envelhecimento populacional ou as mudanças culturais em estilos de vida.

Com relação a alimentação, o que pode-se perceber é que o excesso de gordura corporal, além de estar associado a um estado inflamatório crônico, afeta diretamente os níveis de vários hormônios circulantes, criando um ambiente que pode promover o desenvolvimento de diversos tipos de câncer, inclusive o de mama. Ou seja, estar acima do peso, ou com uma elevada taxa de gordura corporal, é um fator de risco, e tem de ser considerado na prevenção. Além disso, fator intrínseco ligado a obesidade, está o sedentarismo, a mudança do padrão alimentar da população, a busca por praticidade na alimentação, a falta de tempo para preparar refeições, entre uma série de motivos que contribui para um número cada vez mais de pessoas com excesso de peso.

Dessa forma, ter em seu hábito alimentar, cada vez mais comida de origem natural, e aqui vale a regra: “Desembale menos, e descasque mais”, remetendo o resgate ao hábito de comer comida de verdade, e diminuir o consumo de industrializados em geral. Além disso, diminuir produtos extremamente açucarados,  como por exemplo, sucos prontos, refrigerantes, bebidas lácteas, entre outros, dar preferência a boas fontes de gordura. São medidas fáceis e aplicáveis na rotina, para melhorar a alimentação, e de certa forma, prevenir não só o câncer como outras patologias.

Portanto, estar informado sobre os meios de prevenção não basta, é necessário colocá-los em prática e passar a informação adiante. É importante frisar, que além de toda essa movimentação com objetivo de conscientizar, o Outubro Rosa tem o objetivo também, de homenagear as guerreiras que estão tratando ou já trataram, e hoje vestem a camisa da campanha com orgulho.

REFERÊNCIAS

APOSTOLOU, P.; FOSTIRA, F. Hereditary breast cancer: the era of new susceptibility genes. BioMed Research International, v. 2013, Article ID 747318, 2013. Avaiable at: http://dx.doi.org/10.1155/2013/747318.

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Estatísticas vitais. Brasília: Ministério da Saúde, 2019a. Disponível em: http://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude/tabnet/estatisticas-vitais.

BRAY, F. et al. Global Cancer Statistics 2018: GLOBOCAN Estimates of Incidence and Mortality Worldwide for 36 Cancers in 185 Countries. CA: a Cancer Journal for Clinicians, v. 68, n. 6, p. 394-424, 2018.

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Controle do câncer de mama: documento do consenso. Rio de Janeiro: INCA, 2004

Nutricionista Roberta M. Pimenta (CRN: 2996)

 

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